Ética. Sobre o que exatamente estamos falando?
Caros(as) colegas:
Nesta campanha pela 2ª vice-presidência da ABORL-CCF, muitos colegas e amigos apontam em suas mensagens de apoio a questão ética como sendo das mais importantes na atividade médica assistencial e associativa. Creio que todos possamos concordar nesse ponto, embora existam detalhes e sutilezas a serem bem definidos.
Seria inadequado vermos a Ética Médica como um obstáculo, uma firula filosófica que atrapalha e prejudica o nosso trabalho e restringe nossa liberdade. Liberdade de iniciativa e arbítrio, Autonomia e Ética são necessidades fundamentais, mas devem ser relativizadas conforme padrões culturais e situações específicas.
A Ética não pode ser retrógrada ou anacrônica, nem pretender ficar à frente. Há que ser atualizada, buscando se manter coerente com o tempo e as mentes, e tal tarefa depende da constante manifestação coletiva de médicos e cidadãos, associada à competência e rapidez das instituições normatizadoras em auscultar o pensamento da maioria neste ambiente cada vez mais dinâmico.
Dilemas, divergências e contradições são frequentes, na mesma medida em que as definições de certo e errado geram debates e questionamentos sobre quem poderá julgar “verdadeiro ou falso” e diferenciar, por exemplo, a boa informação de uma distorção sedutora e manipuladora. Ou seja, só avançaremos nesse campo se conversarmos muito, abertos a novos pontos de vista que brotam de uma sociedade que se renova e nos renova.
A Ética Médica deve, por exemplo, nos impulsionar a juntos fazermos os gestores entenderem que um sistema de saúde que privilegie ações preventivas e intervenções precoces é muito mais barato, além de humanitário, reduzindo limitações, sofrimentos e perdas, oferecendo melhores qualidade de vida e perspectivas de desenvolvimento físico e intelectual.
Trata-se de uma luta ética (e épica) em que nos cabe total empenho, das Campanhas em ORL à nossa interferência na organização (caótica) do sistema, em que sejamos capazes de obter algo como “Todos pela audição já para todos” – pelos tubinhos, cirurgias do ouvido médio, implantes cocleares e próteses auditivas. No “Ar já para todos” – pelas adenoamigdalectomias, septo e turbinoplastias e correção da apnéia do sono, na “Voz já para todos”, pela abordagem prioritária ao câncer inicial da laringe. Tudo do jeito certo e na hora certa!
Nós sabemos que tais e outras ações não se tratam de utopia e que obtida tal reorientação inteligente de investimentos, poderemos por em prática todo o nosso conhecimento, habilidade, disposição e disponibilidade para reduzir custos sociais e executar melhor a nossa parte, fazendo real diferença na construção da nação.
Que a Ética nos esprema e force sempre a promover a verdade científica, mesmo que transitória, que nos faça resistir às tentações no caminho e possamos progredir, pela via da constante colaboração, contestação e debate franco e aberto. Sempre atentos a que a necessidade de sobrevivência pode explicar muita coisa - mas não justifica tudo!
Enfim, uma visão global da Ética deve ser nossa orientação diária. E na Educação e na Medicina, esta postura se mostra mais do que obrigatória, de fato vital!
Abraço a todos!
Marcos Sarvat
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